[:pb]Do pescoção ao follow up: a mudança que pode ser uma carta na manga[:]

24/05/2016 por Carolina Lenoir

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Mudar de lado do balcão – como é conhecida a transição de jornalistas que atuavam em veículos de imprensa para agências e departamentos de comunicação – não é um movimento recente, mas, com a intensificação da crise na chamada mídia tradicional, esse caminho tem sido cada vez mais percorrido. Ainda que, em um primeiro momento, essa mudança de chave seja desafiadora, a bagagem trazida das experiências anteriores pode ser vantajosa para profissionais, empresas e clientes.

Há quem acredite que, ao se optar por essa migração, deixa-se de ser jornalista. O debate é polêmico, mas é inegável que o bom profissional de comunicação, esteja ele do lado que for, vai usar as ferramentas adquiridas em cada função a favor de um trabalho bem-feito, com mais chances de ter um resultado positivo.

Ter passado por uma redação não garante que um ex-repórter seja um excelente assessor de imprensa – conheço ótimos assessores que nunca trabalharam em veículos de imprensa –, mas pode proporcionar um olhar mais aguçado para o valor da notícia, uma solução mais viável para aquela pauta encalacrada, ou mesmo uma melhor percepção da rotina de repórteres e editores.

Não demora muito para um recém-chegado ao mundo da comunicação corporativa se ver em situações possivelmente negligenciadas quando esteve do outro lado: prazos quase impossíveis de serem cumpridos, recepções nada calorosas no follow up… Tudo isso pode (e deve) ser remediado com um bom jogo de cintura e com a construção de um relacionamento baseado, entre outros fatores, no entendimento mútuo sobre a relevância de cada papel na produção do conteúdo. É nessa hora que ter estado na pele do seu interlocutor pode se tornar um trunfo.

A verdade é que a comunicação está caminhando para que jornalistas, assessores, relações públicas, publicitários, profissionais de marketing, analistas de mídias sociais e tantas outras denominações transitem mais pelos “espaços” delimitados tradicionalmente como de um ou de outro. Com isso, conhecimentos e técnicas antes específicos passam a ser compartilhados, repaginados, testados de novas formas. O importante é que, nesse processo, deixemos de lado o corporativismo e pensemos em manter a comunicação, como um todo, cada vez mais relevante.[:]