Compromissos são importantes também fora das relações amorosas

O que é e qual a importância dos compromissos assumidos entre empresas ou entre empresas e seus consumidores?

Para mim, é a base de qualquer relacionamento saudável e longevo, e deve guiar as posturas das organizações cada vez mais. Da mesma forma como relações entre duas pessoas não sobrevivem muito tempo de forma saudável quando não há o interesse em se manter compromissos assumidos, isso ocorre com as organizações, com ou sem fins lucrativos.

Infelizmente, é o que observamos em relação a algumas instituições públicas, nas quais o cidadão brasileiro não confia, não vê valor e não respeita. Sente-se lesado e, muitas vezes, preferiria que tais instituições não existissem.

Não me lembro de ter visto uma empresa ou pessoa dizendo que não iria manter seu compromisso e perseguir a entrega do que foi prometido. Quem não cumpre os compromissos de forma crônica, erra duplamente – ao mentir e ao não cumprir – pois, normalmente, sabe que não vai dar certo desde o começo.

Quando olho para os resultados obtidos pela LVBA Comunicação no ano passado, que é similar ao que ocorreu nos anteriores, tenho certeza de que é possível só prometer o que se  pode entregar e se dedicar muito, com inteligência, competência e trabalho, para atingir tais objetivos.

Em 2020, essa agência atingiu todas as metas definidas com seus clientes e superou os resultados do ano anterior na maioria delas, como share of voice (a participação dessa empresa nas matérias jornalísticas em comparação a seus concorrentes), repercussões positivas e número de pessoas alcançadas pelas informações.

O segredo começa na negociação, nas promessas a serem feitas. Não se promete milagres, mesmo que isso ajude em algumas vendas, e apresenta-se aos possíveis clientes “a real”, por vezes contrariando o que esse profissional tinha em mente.

Como se diz um ditado que gosto bastante: “é melhor ficar vermelho uma vez, do que amarelar o resto da vida”. Pode ser difícil, mas dizemos a verdade e construímos esse compromisso junto com o cliente. Compreender as necessidades, problemas e oportunidades desse cliente, é essencial para essa construção conjunta.

Parece óbvio, mas não é tão simples essa compreensão, pois exige se fazer a pergunta certa à pessoa certa. E isso pode requerer coragem, além de experiência e agilidade.

Outra empresa com a qual sou intimamente ligado, a Agro Jasmim, optou por produzir exclusivamente produtos 100% naturais e agroecológicos – principalmente óleos essenciais, hidrolatos e cosméticos. Essa decisão leva a altos custos de produção, retorno a longo prazo e muitos obstáculos de mercado, a começar pelo desenvolvimento de produtos que agradem ao consumidor sem abrir mão dos ingredientes naturais, chegando à disposição desse consumidor em pagar mais por produtos desse segmento.

Apesar de todos os desafios, a empresa se mantém fiel aos compromissos assumidos. Não é uma decisão fácil para muitas pessoas, mas é a decisão certa para algumas delas.

Comprovando o que falei no início, de que é a base de relações longevas, volto à LVBA, que traz clientes com mais de 10 anos de história e cerca de 70% da carteira com pelo menos 5 anos. Isso é raro, uma eternidade, no mercado de comunicação. Na maioria das agências, nem as pessoas ficam tanto tempo assim. Haveria tal longevidade se não houvesse entrega do prometido?

A cada um cabe suas próprias escolhas. Eu escolho sempre pela manutenção de compromissos e não vejo isso como ingenuidade, mas como o perfil do novo consumidor e do novo empreendedor brasileiro.

Acabou o mês da Consciência Negra. E agora?

Uma reflexão sobre inclusão de pessoas pretas no mercado de trabalho e representatividade em ações de comunicação

2020 está sendo um ano de grandes desafios. Alguns novos, como a pandemia da Covid-19; outros já velhos conhecidos nossos, como o racismo estrutural. E este foi o tema central do mês de novembro, quando é celebrado o Dia da Consciência Negra (20). A data tem como objetivo discutir a importância de pessoas pretas na sociedade brasileira e se tornou feriado oficial em decreto de 2011 (antes tarde do que nunca).

Contudo, além de tudo que 2020 está nos fazendo passar, um dia antes do “20 de novembro”, presenciamos o episódio brutal de assassinato do soldador João Alberto Silveira Freitas por dois seguranças brancos do Carrefour, em Porto Alegre (RS). E não. Não foi um caso isolado. O grupo carrega um histórico de descaso com a vida. Por conta de mais este caso, perdeu mais de R$ 2 bilhões em valor de mercado e foi alvo de revoltas populares. Mas ainda fica a sensação de impunidade. Afinal, nada disso se equipara ao valor de uma vida. Inevitavelmente, o episódio acalorou os debates sobre vidas pretas e seu lugar na sociedade.

No âmbito positivo, novembro foi um mês, como de costume, de grandes eventos, principalmente no ambiente corporativo, ainda que virtual, sobre a importância da igualdade racial e da inclusão de pessoas pretas no mercado de trabalho. Afinal, diversidade e inclusão são pautas do momento e, de acordo com a pesquisa da McKinsey, fazem com que as equipes gerem 21% mais resultados que empresas sem pluralidade de pessoas. Sim, muitas vezes, a mudança na mentalidade se dá visando o lucro, mas já é um passo. Ainda assim, estamos longe de viver na pele a diversidade e inclusão de verdade, isso é quase que utópica. Mesmo com todas as ações que promovem diversidade, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 64% das pessoas desempregadas são pretas; brancos recebem 45% a mais; e pretos ocupam menos de 30% dos cargos de liderança.

Gosto sempre de, neste momento, lembrar do antigo comercial de Margarina, com a família “perfeita”, branca, heterossexual, tomando café da manhã. Este já foi o padrão de representatividade lucrativo. Hoje, em comunicação, por exemplo, é o que chamamos de “o que não fazer” quando é desejado representar a população brasileira. E isso é um avanço!

Mas e agora que acabou novembro, qual o próximo passo?

Ainda falando do último mês, tive a honra de participar de um evento muito interessante chamado Afro Comunica, que foi uma parceria da Universidade São Judas com a Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom), por meio do Coletivo Enegrecer, da própria universidade. O objetivo foi debater sobre os desafios do mercado das agências de comunicação para pessoas pretas. O desafio de entrar e, principalmente, o de ser ouvido, respeitado e de poder levar diversidade às ações de comunicação, que podem impactar milhares ou milhões de pessoas.

Foi interessante ser ouvido, claro. Mas mais ainda, foi enriquecedor conhecer outras histórias e ver como todas têm um ponto em comum: a dificuldade de, em pleno 2020, ter boas oportunidades, reconhecimento profissional e sensação de pertencimento. Uma visão otimista que deixo aqui é a de que, para ações de comunicação/marketing, não levar representatividade em consideração é o famigerado “tiro no pé”. E só uma equipe plural, com diversidade, de fato, pode gerar ações mais representativas. As vivências únicas de cada pessoa podem contribuir para grandes impactos positivos e posicionar marcas dentro do padrão realmente representativo da população.

Se quiser conferir o debate Afro Comunica na íntegra, ele está disponível aqui.

De tudo isso, algo fica muito claro: o racismo estrutural existe, neguem as autoridades brancas ou não. E combater algo tão enraizado e prejudicial vai além do ambiente corporativo. Mas é uma excelente forma de começar. Agora que o mês da Consciência Negra passou, o que as empresas podem fazer? Bom, tudo! Gerem oportunidades para pessoas pretas. Ouças pessoas pretas. Permitam que cargos de liderança sejam ocupados por pessoas pretas. Se o Programa Trainee da Magazine Luiza para pessoas pretas, por exemplo, foi reconhecida como reparação histórica e gerou ainda mais valor à marca, por que não “magaluzear” mais as empresas? Todos saem ganhando.

Marcas brasileiras estão em relacionamento sério com pessoas virtuais

Não é novidade que a transformação digital é uma realidade. Inclusive, ter presença online se tornou obrigação comercial por causa da pandemia do novo coronavírus.

Não por acaso, diversas empresas lançaram personagens virtuais este ano no Brasil, visando a humanização da marca e a blindagem contra crises. Afinal, atitudes negativas de influenciadores digitais humanos impactam também a quem os contratam (para um exemplo clássico basta buscar por Gabriela Pugliese no Google).

Muito provavelmente, essas marcas foram inspiradas pelo êxito da Miquela, influenciadora virtual criada nos EUA em 2016, e suas colegas brasileiras: Lu, assistente do site da Magazine Luiza desde 2003, que ganhou roupagem moderna em 2009, e Nat da Natura, criada inicialmente como chatbot de Facebook em 2016.

Miquella e Maísa
Miquela e Pabllo Vittar

Fato é que a Miquela, it girl virtual que, inclusive, já postou fotos com fenômenos da internet brasileira como Maísa e Pabllo Vittar, e os demais exemplos citados acima, passam a dividir espaço e atenção de consumidores com a Ully da Ultragaz, a Rê da Rexona e o CB das Casas Bahia, somente para citar alguns exemplos recentes:

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Apesar de suas existências terem função definida pelas marcas: assistente virtual, especialista de proteção, mascote, modelo/influenciadora, é preciso realismo para gerar mais empatia do público. Por isso, têm nome próprio, tom de voz, aparência de ser humano, e até mesmo uma rotina específica para despertar interesse pelo seu cotidiano.

Além de parecer real, é preciso também encarar a realidade: a Miquela, por exemplo, aderiu ao isolamento social e o CB já apareceu usando máscara para prevenir-se contra a Covid-19.

E é justamente por precisarem encarar o contexto em que existem que essas pessoas virtuais também são alvo de polêmicas! Afinal, em uma sociedade polarizada como a que vivemos, qualquer posicionamento, e até mesmo a falta dele, dá acesso a um vale-cancelamento.

Outro fator relevante é que essas pessoas virtuais não são autônomas. Necessitam do toque humano para programar seus próximos passos. E, levando em consideração todos os vieses aos quais a humanidade está suscetível, esta ainda não é a salvação para empresas manterem uma presença online livre de polêmicas.

Exemplos de potenciais crises não faltam nas interações com esses perfis. Seja causada por comportamentos desprezíveis de consumidores, como os assédios frequentes sofridos pela Lu, que renderam até post desabafo:

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Ou protagonizado pela Nat, por conta de um posicionamento da empresa favorável à sustentabilidade:

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Por mais virtual que seja é preciso espelhar a consciência social e a capacidade empática de pessoas reais. E apesar destes serem aspectos considerados essenciais por consumidores jovens para a tomada de decisão de compra, são também os que geram grandes crises no ambiente digital.

Ainda assim, este match de marcas com pessoas virtuais tende a ser duradouro, porque acompanhar o público jovem em sua jornada na relação com a marca é uma estratégia necessária a médio e longo prazo.

O que é FOPO? E como evitar o cancelamento?

O que te impede de publicar mais aqui no LinkedIn? Afinal, todos têm o que postar… Muitas vezes, a resposta é medo. E isso pode ter a ver com a “cultura do cancelamento”, que ganha cada vez mais espaço no ambiente digital. Principalmente, neste período de distanciamento social, no qual o consumo de dados de internet teve um aumento entre 40% e 50%, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Mas o que é a “cultura do cancelamento”? É a ação em massa de “unfollows” ou de críticas à opinião de uma pessoa ou empresa, que a “cancela” em ambiente digital. Esta premissa se deve à diversas razões, mas, em grande parte, está relacionada a questões sociais e/ou políticas. Porém, em um mundo livre, onde liberdade de expressão é uma realidade (ou deveria ser), como saber se o que você posta é ou não cancelável?

Por não haver resposta exata- já que sempre há dois lados em uma mesma moeda -, as pessoas desenvolvem o FOPO (Fear Of Other People’s Opinion). Que, na tradução para o português, é o medo da opinião dos outros. Em outras mídias, este medo é real, por interferir diretamente na vida social. No Linkedin, ele se torna ainda maior, pois pode gerar crises de imagem corporativa e, consequentemente, perda de oportunidades de negócios ou emprego.

Mas não se preocupe. Se você é especialista em algo, tem acesso a dados confiáveis/reais e entende do assunto, por que não compartilhar seu conhecimento? Não há cancelamento para quem tem a acrescentar. Só tenha cuidado para que sua opinião não invalide a de ninguém.

Edição: Leandro Nunes e Juliana Caramelo.

#meupaipresente | Breve análise do case Natura para o Dia dos Pais 2020

Neste ano, a Natura foi responsável por uma das campanhas de Dia dos Pais de maior impacto e representatividade do país, por conta de um dos pais escolhidos: Thammy Gretchen, homem trans, pai do pequeno Bento, de 6 meses. O resultado foi sucesso em engajamento. Para bem ou para mal, todos estavam falando dela.

A marca, uma das mais citadas no mês de julho passado, em mídias sociais e Google, com aderência de grandes personalidades, teve alta em suas ações nos dias 29 e 30 de julho, sendo o primeiro dia maior alta do Ibovespa.

A hashtag da campanha #meupaipresente teve quase 9 mil citações no Instagram. Ainda que parte conservadora da população tenha aderido a um boicote à Natura, a maioria dos internautas apoiou a causa. Que contou, inclusive, com o influenciador de maior nome do país, o youtuber Felipe Neto, como defensor – ele já havia prometido, em 2017, que faria campanha de graça às marcas “boicotadas” por conservadores.

Vale ressaltar que, no Brasil, há 5,5 milhões de crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com base no Censo Escolar, divulgado em 2013.

Por isso, a relevância do mote usado, incentivando a presença paterna e a qualidade da relação entre pai e filhos, mostrando que a obrigação paterna vai além do DNA – e de gênero.

Mais uma vez, fica clara a importância do equilíbrio entre visibilidade, reputação e apoio legítimo a uma causa. Afinal, a Natura se posiciona como apoiadora da diversidade há alguns anos.

Para você, o que é preciso para ser pai? Em nossa opinião, basta exercer o papel de pai. Dando atenção, amor, carinho e prezando por momentos de qualidade com seus filhos.

Porque isso faz toda a diferença na criação de crianças.

Aproveitando este case, o time LVBA deseja a esse tipo de pai um #FelizDiadosPais!

Liberdade de imprensa e de expressão não são sinônimos de propagação de fake news

Sabia que o primeiro jornal a circular no Brasil foi o Correio Braziliense? Pois é, sua primeira edição foi lançada no dia 1 de junho de 1808, de forma clandestina. Até este ano ainda era proibida a circulação de jornais no país. Fato importante: a publicação tinha o objetivo de informar a população brasileira sobre os eventos da Europa, sem a censura da Coroa Portuguesa.

Três meses depois, no dia 10 de setembro, foi lançada A Gazeta, de forma legal, com a proteção de D. João VI. O jornal tinha viés oficial da coroa. Visava informar a população de acordo com seus interesses e, por muito tempo, foi celebrado como informativo pioneiro do Brasil.

Até 1999, o Dia Nacional da Imprensa era comemorado em setembro, tendo A Gazeta como referência. Com a correção histórica, em lei sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, a partir do ano 2000, passou a ser comemorada em junho, mês do lançamento do Correio Braziliense.

Comparar este cenário com o atual, nos faz pensar que seria menos exaustivo se tivéssemos apenas duas publicações para ler e ponderar sobre as informações veiculadas.

Mas a realidade é outra. Somos impactados por informações 24 horas por dia, por diversas plataformas. Porém, defender veículos e profissionais de comunicação é dever de todos nós.

Ainda mais, levando em consideração as ameaças cada vez mais frequentes à liberdade de imprensa e seus profissionais.

É sempre bom reforçar: busque e consuma informação verídica, cheque as fontes de cada informação, antes de passa-la adiante. Assim, é possível enxergar o país e o mundo sem as sombras das fake news.

Importante lembrar que liberdade de imprensa e de expressão não são sinônimos de propagação de fake news.

Informe-se, questione as notícias que recebe, cheque as fontes, compartilhe apenas informações verídicas e defenda a liberdade de expressão!

Crise organizacional por Covid-19 – deixa que eu cuido

A pandemia de Covid-19 pode ter gerado uma oportunidade que há muitos anos não aparecia para os profissionais de comunicação dentro das empresas. Por diversos motivos que não vou detalhar nesse artigo, as áreas e os profissionais de comunicação perderam gradativamente o espaço e a relevância dentro das organizações, especialmente das de grande porte.

Se há cerca de 15 anos esses profissionais faziam parte de um seleto grupo de “conselheiros” dos presidentes para auxiliar na tomada das decisões mais importantes para a empresa, no momento pré-pandemia essa situação era uma raridade.

Com a chegada da pandemia, as empresas sentiram rapidamente impactos arrebatadores de todos os lados – empregados, cadeia de suprimentos, consumo, fluxo de caixa, planejamento de médio e longo prazos e tecnologias são alguns dos exemplos mais comuns. Problemas que envolvem todas as áreas das companhias.

O que há de similar na forma como as diversas áreas podem gerir esses impactos está na necessidade de uma bem planejada e executada comunicação. Mas comunicação no sentido mais amplo e complexo, e não no simples “texto com imagem”. Nasce da análise de cenários da empresa quanto à continuidade do negócio, passa pela compreensão dos stakeholders direta e indiretamente impactados, expectativas de cada um e da empesa em relação a eles, mapeamento de riscos reputacionais, ajuste no tom e mensagens a serem comunicadas, preparação dos chamados porta-vozes e mais uma série de questões até chegar ao “texto com imagem”.

Não é difícil observar que alguns profissionais de comunicação souberam aproveitar rapidamente a situação (no sentido positivo), apresentaram propostas e assumiram as rédeas da gestão da crise. Outros não tiveram essa visão.

Provavelmente as empresas que contaram com profissionais bem preparados, com iniciativa e atentos ao momento sairão da crise menos prejudicadas do que seus concorrentes, ou com maior capacidade de se recuperar. Como característica dessa situação temos que, aliado a todas as questões ligadas a crises, existe o comportamento da maioria da população (alguns estudos têm apontado isso) em dar mais peso às atitudes das marcas durante a pandemia, o que vai se refletir em vendas novas, fidelização, retenção e atração de talentos, aceitação de novos produtos e outros fatores que, no final, significam receita e crescimento.

Espero que a pior fase de Covid-19 em termos de internações esteja passando, mas muito ainda está por vir para o mercado. As oportunidades de se recuperar o espaço interno das áreas de comunicação estão vivas e latentes – sucesso para quem estiver no lugar certo, na hora certa, com preparo, iniciativa e visão.

O que é notícia hoje? Vale o questionamento.

Tenho acompanhado, cada vez mais, pautas que saem na “grande imprensa” sendo debatidas e até questionadas em outras plataformas e mídias.

Convenhamos, o mundo atual anda um tanto quanto chato e cheio de “mimimi” sobre o que pode ser falado, como deve ser abordado, etc e tal. Até aí, tudo bem. Sabemos que existe o grupo do feminismo, do machismo, do a favor disso e do contrário àquilo, e todo tipo de opinião, claro. Porém, o que me chama mais a atenção atualmente são os temas que viram notícia na tal “grande imprensa” e que geram outros tantos conteúdos em outras mídias tão relevantes.

Na qualidade de profissional de comunicação, lidamos com esse questionamento – aqui digo meus colegas de profissão e eu – diariamente. O que é notícia hoje? Tudo e nada ao mesmo tempo, se analisarmos friamente essa questão.

Como gestores de comunicação sempre questionamos nossos clientes sobre os temas que eles nos trazem como notícia, fazendo aquele papel de “advogado do diabo” mesmo para entender se aquele assunto interessa a um determinado nicho ou a grande massa, se há um fato inédito, se o público leitor daquele veículo vai ser impactado por aquele assunto, se tal tema terá relevância para a vida das pessoas. Bom, isso é um exercício diário e constante para quem trabalha com comunicação corporativa.

Tendo dito isso, me deparei com um post que ilustra bem o que estou falando no texto acima e que foi publicado no Huffpost Brasil, discutindo uma matéria veiculada na revista da Folha de S. Paulo (06/08) com a seguinte reportagem ipsis literis: “Está pensando que a vida dos pais é só trabalho e cuidar da cria? Eles também batalham para colocar em prática seus hobbies, como cruzar oceanos atrás de um show de heavy metal, fazer longas caminhadas pelo Nepal e guardar uns minutinhos para desfrutar do jardim”: https://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2017/08/1907231-conheca-pais-que-conciliam-filhos-e-hobbies-como-escalar-o-himalaia-e-ir-a-shows-do-iron-maiden.shtml

Nada contra a tal matéria, que traz histórias de pessoas que conciliam tudo e ainda a paternidade. UAU!!! Mas, aqui o que eu quero expor é, isso realmente é uma pauta interessante que mereça ser publicada em um veículo como a Folha, mesmo em uma data comemorativa, como o Dia dos Pais? E como resposta, exponho essa outra pauta aqui com o seguinte trecho na íntegra também: “Minha timeline está cheia de feministas e mulheres em geral indignadas com a matéria de Dia dos Pais da Folha de S.Paulo e fui ver do que se trata, pensando que fosse mais uma polêmica sobre homões da poha que não fazem mais do que sua obrigação”. https://www.huffpostbrasil.com/2017/08/09/a-disparidade-entre-maternidade-e-paternidade-conceito-e-expect_a_23072830/

Sem entrar no mérito de análise das duas matérias, até porque abre um parêntesis aqui eu tive um PÃE (que foi pai e mãe) da poha, pois ele criou duas filhas (minha irmã e eu) sozinho – depois da morte da minha mãe -, abrindo mão de se casar novamente, se aposentando antecipadamente e tudo mais que um PAIZÃO faria para cuidar de suas crias. Mas, vamos lá, voltando ao tema. Por que vocês acham que essas pautas viraram reportagens? O que de fato é importante analisarmos aqui são: as histórias desses homens realmente merecem destaque e são de fato relevantes para outras pessoas? Acredito que não, porque o efeito foi até contrário, levou a uma certa “ira” por se assim dizer de muitas mulheres, gerando outro post sobre um tema bem mais pertinente e atual. “É preciso muito pouco para ser considerado um paizão. E é preciso muito pouco para ser considerada uma mãe de m**da”, diz a autora Tayná Leite, que é Coach, palestrante, advogada, feminista e mãe do Cacá.

Vale aqui então uma reflexão e até uma provocação para todos nós de comunicação sobre o que estamos gerando e até consumindo de informação. Será que tem alguma relação o fato de a grande imprensa estar dando espaço para histórias cada vez mais “questionáveis” e pouco interessantes, com o fato de as vozes que surgem de influenciadores e de pessoas comuns, terem gerado muito mais empatia e engajamento do público? Precisamos pensar mais nisso, inclusive as próprias empresas quando querem divulgar seus temas tão relevantes.

[:pb]Vamos falar sobre Reputação?[:]

[:pb]Tanto se fala sobre reputação mas será que estamos falando sobre a mesma coisa? Ter uma boa imagem está bem longe de significar ter uma boa reputação.

Imagine aquele porquinho rosadinho, gordinho e simpático que é usado para ilustrar o lugar onde se guardam as economias.

Imagine que diariamente você coloca moedas nele. Todo troco recebido em moedas é depositado no porquinho. Ele vai ficando pesadinho e, se você não fizer nenhuma retirada, ele só vai se encher.

Depois de vários meses, ou anos, enchendo este cofre, um dia, você se vê em dificuldade e precisa recorrer às economias e você retira o equivalente a 10% da sua poupança rosadinha.

Esta retirada seria suficiente para acabar com suas reservas? Seria algo impactante que poderia ser traduzido como o fim do cofrinho?

De forma alguma. A única coisa que vai acontecer é que os próximos depósitos serão para repor o que foi retirado e não para aumentar a reserva.

O simpático porquinho é a reputação. Ela não se torna forte e vigorosa da noite para o dia. É preciso persistência, insistência, boas práticas de gestão e disciplina para que o cofrinho fique recheado.

Boas práticas corporativas, a entrega de bons produtos e serviços e um cenário favorável são passos essenciais para se criar uma boa reputação. Mas só isso é pouco. Aqui vale o velho ditado “A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta” (a origem do ditado é bastante interessante e pode ser conhecido neste link). Ou seja, não basta fazer o certo, a empresa precisa também saber se comunicar da forma correta.

Estamos na era da transparência compulsória e não há bom produto que sobreviva a uma prática frágil da comunicação, uma comunicação que desconsidere um mundo em rede e não mais organizado em caixinhas rotuladas como clientes, fornecedores, comunidade, acionistas, ONGs etc. Uma comunicação que reconheça liderança, influenciadores e não somente a imprensa.

A empresa faz tudo certo, sabe se comunicar de forma estratégica e seus stakeholders estão tão alinhados com ela que se tornam seus defensores. E, de repente, o cenário faz com que surja uma crise e a empresa é vítima disso. Um dos indicadores claros da chegada da crise é o resultado de suas ações. Elas despencam e a empresa perde valor. É como se, neste momento, a empresa precisasse buscar folego para manter-se saudável no seu cofrinho que, dada sua trajetória, está forte e saudável.

Uma crise pode matar a reputação de uma empresa?

Depende do quanto ela “poupou” antes da crise. Quanto mais cheio o porquinho, menor o risco da empresa ser afetada neste momento. Quanto menos a empresa investir na sua reputação diariamente e diuturnamente maior sua vulnerabilidade, mais magra são suas reservas reputacionais e maior o risco do cofre ser destruído neste momento.

Investir na gestão da reputação é caro? Bem mais caro é amargar o preço do “porquinho quebrado”. E ai vale outro ditado, bem menos charmoso e bem mais popular “não adianta chorar pelo leite derramado”.[:]

[:pb]Relação com Influenciadores pede – cada vez mais – profissionalismo![:]

[:pb]Os influenciadores digitais, como o nome deixa bem claro, influenciam. Pessoas que, com suas vozes e opiniões, ganharam destaque na internet e, como era de se esperar, atraíram os olhares das marcas.

Brindes, jabás, convites para eventos, encontrinhos, publieditorial são apenas algumas das expressões que entraram no dicionário do relacionamento entre agências e influenciadores.

E, claro, como todo mercado, nem todo mundo segue a ética e a transparência que esse tipo de relação exige. A relação entre essas duas partes, por mais informal e amigável que seja, ainda é uma relação profissional. E isso exige que algumas normas sejam seguidas, afinal estamos falando de publicidade.

Do ponto de vista do influenciador, a questão ganha ainda a camada da reputação. Essa é sua mais poderosa ferramenta de trabalho e zelar por ela deve ser primordial. Por isso que, cada vez mais, os casos de publicidade velada devem sim ser expostos para que o consumidor, a ponta mais importante desse processo, não se sinta enganado.

A ABRADI – Associação Brasileira dos Agentes Digitais – recentemente lançou um Código de Conduta para agências digitais na contratação de influenciadores. Em poucas -e bem simples – dicas, o Código traz orientações para agências profissionalizarem ainda mais esse mercado. Algo que todas as partes no fim só terão a ganhar.
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