Marcas brasileiras estão em relacionamento sério com pessoas virtuais

Não é novidade que a transformação digital é uma realidade. Inclusive, ter presença online se tornou obrigação comercial por causa da pandemia do novo coronavírus.

Não por acaso, diversas empresas lançaram personagens virtuais este ano no Brasil, visando a humanização da marca e a blindagem contra crises. Afinal, atitudes negativas de influenciadores digitais humanos impactam também a quem os contratam (para um exemplo clássico basta buscar por Gabriela Pugliese no Google).

Muito provavelmente, essas marcas foram inspiradas pelo êxito da Miquela, influenciadora virtual criada nos EUA em 2016, e suas colegas brasileiras: Lu, assistente do site da Magazine Luiza desde 2003, que ganhou roupagem moderna em 2009, e Nat da Natura, criada inicialmente como chatbot de Facebook em 2016.

Miquella e Maísa
Miquela e Pabllo Vittar

Fato é que a Miquela, it girl virtual que, inclusive, já postou fotos com fenômenos da internet brasileira como Maísa e Pabllo Vittar, e os demais exemplos citados acima, passam a dividir espaço e atenção de consumidores com a Ully da Ultragaz, a Rê da Rexona e o CB das Casas Bahia, somente para citar alguns exemplos recentes:

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Apesar de suas existências terem função definida pelas marcas: assistente virtual, especialista de proteção, mascote, modelo/influenciadora, é preciso realismo para gerar mais empatia do público. Por isso, têm nome próprio, tom de voz, aparência de ser humano, e até mesmo uma rotina específica para despertar interesse pelo seu cotidiano.

Além de parecer real, é preciso também encarar a realidade: a Miquela, por exemplo, aderiu ao isolamento social e o CB já apareceu usando máscara para prevenir-se contra a Covid-19.

E é justamente por precisarem encarar o contexto em que existem que essas pessoas virtuais também são alvo de polêmicas! Afinal, em uma sociedade polarizada como a que vivemos, qualquer posicionamento, e até mesmo a falta dele, dá acesso a um vale-cancelamento.

Outro fator relevante é que essas pessoas virtuais não são autônomas. Necessitam do toque humano para programar seus próximos passos. E, levando em consideração todos os vieses aos quais a humanidade está suscetível, esta ainda não é a salvação para empresas manterem uma presença online livre de polêmicas.

Exemplos de potenciais crises não faltam nas interações com esses perfis. Seja causada por comportamentos desprezíveis de consumidores, como os assédios frequentes sofridos pela Lu, que renderam até post desabafo:

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Ou protagonizado pela Nat, por conta de um posicionamento da empresa favorável à sustentabilidade:

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Por mais virtual que seja é preciso espelhar a consciência social e a capacidade empática de pessoas reais. E apesar destes serem aspectos considerados essenciais por consumidores jovens para a tomada de decisão de compra, são também os que geram grandes crises no ambiente digital.

Ainda assim, este match de marcas com pessoas virtuais tende a ser duradouro, porque acompanhar o público jovem em sua jornada na relação com a marca é uma estratégia necessária a médio e longo prazo.

O que é FOPO? E como evitar o cancelamento?

O que te impede de publicar mais aqui no LinkedIn? Afinal, todos têm o que postar… Muitas vezes, a resposta é medo. E isso pode ter a ver com a “cultura do cancelamento”, que ganha cada vez mais espaço no ambiente digital. Principalmente, neste período de distanciamento social, no qual o consumo de dados de internet teve um aumento entre 40% e 50%, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Mas o que é a “cultura do cancelamento”? É a ação em massa de “unfollows” ou de críticas à opinião de uma pessoa ou empresa, que a “cancela” em ambiente digital. Esta premissa se deve à diversas razões, mas, em grande parte, está relacionada a questões sociais e/ou políticas. Porém, em um mundo livre, onde liberdade de expressão é uma realidade (ou deveria ser), como saber se o que você posta é ou não cancelável?

Por não haver resposta exata- já que sempre há dois lados em uma mesma moeda -, as pessoas desenvolvem o FOPO (Fear Of Other People’s Opinion). Que, na tradução para o português, é o medo da opinião dos outros. Em outras mídias, este medo é real, por interferir diretamente na vida social. No Linkedin, ele se torna ainda maior, pois pode gerar crises de imagem corporativa e, consequentemente, perda de oportunidades de negócios ou emprego.

Mas não se preocupe. Se você é especialista em algo, tem acesso a dados confiáveis/reais e entende do assunto, por que não compartilhar seu conhecimento? Não há cancelamento para quem tem a acrescentar. Só tenha cuidado para que sua opinião não invalide a de ninguém.

Edição: Leandro Nunes e Juliana Caramelo.

[:pb]WhatsApp e Facebook são os meios preferidos dos brasileiros para compartilhar notícias[:]

[:pb]Um panorama completo do consumo de notícias digitais é o resultado de um estudo o que o Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo conduziu em nível mundial, entre de janeiro e fevereiro de 2017, com 70 mil pessoas, em 36 mercados nos cinco continentes. O Digital News Report 2017 é um material denso e completo que aponta as tendências que podem explicar o rumo que a audiência por informação na Internet deverá tomar nos próximos anos e, desse modo, deve ser lido por todos os profissionais de Comunicação.

Na abertura das considerações, os editores alertam: “Esta pesquisa é um lembrete de que a revolução digital está cheia de contradições e exceções.” O alerta é válido especialmente para o Brasil, cujos números sobre o consumo de mídia destoam daqueles apresentados pelos grandes centros da Europa.

O consumo e compartilhamento de notícias por aplicativos de bate-papo é uma dessas contradições. No geral, 23% dos pesquisados respondeu que busca, compartilha ou discute notícias por esse tipo de tecnologia ao menos uma vez por semana. O WhatsApp, pela primeira vez, foi citado por 15% da amostra. No Brasil, ele é um dos preferidos como fonte de notícias para 46% dos entrevistados, sendo que a liderança fica com o Facebook, com 57%. O Whats é forte na Malásia (51%) e no Chile (39%), enquanto que é pouco usado para esse fim nos Estados Unidos (9%), na Grã Bretanha (4%) e no Japão (3%).

Os pesquisadores estimam que um dos fatores que impulsionaram o uso do WhatsApp nos mercados emergentes e na Espanha tem a ver, primeiro, com o bolso, pois muitas empresas de telecomunicações permitem o uso do aplicativo, naqueles países, sem descontar os dados da franquia. E, segundo, com a privacidade, já que o compartilhamento através dele não sofre os efeitos da exposição que as redes sociais proporcionam.

Mas é no quesito ‘confiança das notícias’ que o Brasil mais chama a atenção. Para 60% da amostra brasileira, as notícias publicadas na Internet são confiáveis, mas houve uma queda de 36% para 30%, ano a ano, na percepção de que as notícias são livres de interferências políticas e empresariais. Na comparação com outros países, apenas a Finlândia supera o Brasil nesse quesito, com 62% de confiança, seguido por Portugal (58%) e Polônia (53%), sendo os Sulcoreanos os mais desconfiados (23%).

Sobre os meios utilizados para consumir notícias no Brasil, ao menos três vezes por semana, 60% apontou o canal a cabo Globo News como a fonte mais utilizada no segmento de TV, rádio e impresso, ficando o Jornal do SBT em segundo lugar, seguido por BandNews e Record News. Em termos de impressos, os jornais locais e regionais são os preferidos para 28% e, apenas no sexto lugar aparece um jornal tradicional, O Globo (27%). No âmbito online, destaca-se o portal UOL como o preferido para 47%, seguido pelos websites Globo News (43%) e O Globo (35%).

Vale dizer que tais números não estão se revertendo em dinheiro para as empresas de mídia. Segundo o estudo, apenas 22% dos entrevistados brasileiros pagam para receber notícias online, sem variação em relação ao ano anterior. Mundialmente, essa proporção de assinantes é bem menor e apenas um em dez (13% da amostra) tem esse hábito. Vale ressaltar que a pesquisa realizada no Brasil só contemplou as áreas urbanas e, por isso, o número de pagantes por mídia online é proporcionalmente maior do que os observados nos outros países onde mais se paga por notícias, tais como Noruega (15%), Suécia (10%) e Dinamarca (8%).

Sugiro que acessem o material completo nesse link e debrucem-se sobre os números e insights. Com certeza, os dados irão ajudá-los a ilustrar melhor o cenário do jornalismo brasileiro em suas conversas com clientes bem como para decidir sobre a direção que tomarão nas próximas divulgações.
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[:pb]Você é influenciador do que mesmo?[:]

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É o sonho de muita gente (e organizações): tornar-se influenciador, ser ouvido e admirado. Possibilidade antes restrita a poucas pessoas, hoje está acessível a quase todos, basta ter algo para contar e encontrar um jeito “legal” para fazer isso.

Ou, não.

Há uma tendência de se chamar de influenciadores as pessoas com muitos seguidores nas mídias sociais digitais. Mas, ao se passar a régua, qual a influência que eles exercem mesmo?

Se pensarmos no básico, todos geramos influência nas pessoas ao nosso redor, sejam familiares, amigos ou colegas de trabalho. Cada qual possui um nível de influência que varia de assunto para assunto. Tenho um amigo que entende muito de esportes, então, quando ele fala sobre Jogos Olímpicos eu o levo bastante em consideração, porém, quando comenta sobre economia eu já não confio tanto na qualidade da informação.

É um influenciador sobre o assunto “esportes” para mim, em um dos meios no qual eu vivo.

Ao mesmo tempo, essa pessoa pode não ser tão influente sobre esportes em outros ambientes, como entre os próprios esportistas ou pessoas de outras faixas etárias que a minha.

Parece simples, não é?

É raríssimo alguém que seja realmente respeitado em todos os assuntos e por todos os grupos de pessoas (tribos, stakeholders, públicos de interesse ou como quiser chamar).

Quando se olha por este ângulo, é mais fácil perceber que não é necessário ter muitos seguidores no Facebook, mas sim um combinado de fatores para manter a capacidade de influenciar.

Esses tais influenciadores podem estar em qualquer local e não somente na internet. Estão dentro das empresas (existem influenciadores internos e são essenciais para um bom trabalho de engajamento), nas universidades, ONGs, imprensa e tantos outros ambientes quanto for específico o interesse em questão.

Trabalhar com influenciadores requer foco, critério, análise, dedicação e seriedade. O único objetivo de se relacionar com eles é obter alguma transformação, um resultado alinhado ao planejamento estratégico, seja aumento direto de vendas, ganhos de produtividade, redução de custos, mudança em política pública, e por aí vai.

É uma ação que foi banalizada nos últimos anos, mas observa-se que, quando feita sem o devido cuidado, resulta em gastos sem resultados sólidos.

Outro ponto que poucos se lembram é que mesmo os influenciadores são influenciados por outras pessoas, afinal, ninguém é uma ilha. Entender quem influenciam o influenciador pode ser ainda mais eficiente, apesar de, normalmente, mais complexo e delicado.

Resumo: a tecnologia não inventou os influenciadores, só deu mais poder de comunicação a todos. Relacionar-se com eles ainda requer técnica, cuidados e continuidade.

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