Marcas brasileiras estão em relacionamento sério com pessoas virtuais

12/11/2020 por Leandro.Nunes

Não é novidade que a transformação digital é uma realidade. Inclusive, ter presença online se tornou obrigação comercial por causa da pandemia do novo coronavírus.

Não por acaso, diversas empresas lançaram personagens virtuais este ano no Brasil, visando a humanização da marca e a blindagem contra crises. Afinal, atitudes negativas de influenciadores digitais humanos impactam também a quem os contratam (para um exemplo clássico basta buscar por Gabriela Pugliese no Google).

Muito provavelmente, essas marcas foram inspiradas pelo êxito da Miquela, influenciadora virtual criada nos EUA em 2016, e suas colegas brasileiras: Lu, assistente do site da Magazine Luiza desde 2003, que ganhou roupagem moderna em 2009, e Nat da Natura, criada inicialmente como chatbot de Facebook em 2016.

Miquella e Maísa
Miquela e Pabllo Vittar

Fato é que a Miquela, it girl virtual que, inclusive, já postou fotos com fenômenos da internet brasileira como Maísa e Pabllo Vittar, e os demais exemplos citados acima, passam a dividir espaço e atenção de consumidores com a Ully da Ultragaz, a Rê da Rexona e o CB das Casas Bahia, somente para citar alguns exemplos recentes:

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Apesar de suas existências terem função definida pelas marcas: assistente virtual, especialista de proteção, mascote, modelo/influenciadora, é preciso realismo para gerar mais empatia do público. Por isso, têm nome próprio, tom de voz, aparência de ser humano, e até mesmo uma rotina específica para despertar interesse pelo seu cotidiano.

Além de parecer real, é preciso também encarar a realidade: a Miquela, por exemplo, aderiu ao isolamento social e o CB já apareceu usando máscara para prevenir-se contra a Covid-19.

E é justamente por precisarem encarar o contexto em que existem que essas pessoas virtuais também são alvo de polêmicas! Afinal, em uma sociedade polarizada como a que vivemos, qualquer posicionamento, e até mesmo a falta dele, dá acesso a um vale-cancelamento.

Outro fator relevante é que essas pessoas virtuais não são autônomas. Necessitam do toque humano para programar seus próximos passos. E, levando em consideração todos os vieses aos quais a humanidade está suscetível, esta ainda não é a salvação para empresas manterem uma presença online livre de polêmicas.

Exemplos de potenciais crises não faltam nas interações com esses perfis. Seja causada por comportamentos desprezíveis de consumidores, como os assédios frequentes sofridos pela Lu, que renderam até post desabafo:

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Ou protagonizado pela Nat, por conta de um posicionamento da empresa favorável à sustentabilidade:

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Por mais virtual que seja é preciso espelhar a consciência social e a capacidade empática de pessoas reais. E apesar destes serem aspectos considerados essenciais por consumidores jovens para a tomada de decisão de compra, são também os que geram grandes crises no ambiente digital.

Ainda assim, este match de marcas com pessoas virtuais tende a ser duradouro, porque acompanhar o público jovem em sua jornada na relação com a marca é uma estratégia necessária a médio e longo prazo.