[:pb]WhatsApp e Facebook são os meios preferidos dos brasileiros para compartilhar notícias[:]

30/06/2017 por Rogério Viduedo

[:pb]Um panorama completo do consumo de notícias digitais é o resultado de um estudo o que o Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo conduziu em nível mundial, entre de janeiro e fevereiro de 2017, com 70 mil pessoas, em 36 mercados nos cinco continentes. O Digital News Report 2017 é um material denso e completo que aponta as tendências que podem explicar o rumo que a audiência por informação na Internet deverá tomar nos próximos anos e, desse modo, deve ser lido por todos os profissionais de Comunicação.

Na abertura das considerações, os editores alertam: “Esta pesquisa é um lembrete de que a revolução digital está cheia de contradições e exceções.” O alerta é válido especialmente para o Brasil, cujos números sobre o consumo de mídia destoam daqueles apresentados pelos grandes centros da Europa.

O consumo e compartilhamento de notícias por aplicativos de bate-papo é uma dessas contradições. No geral, 23% dos pesquisados respondeu que busca, compartilha ou discute notícias por esse tipo de tecnologia ao menos uma vez por semana. O WhatsApp, pela primeira vez, foi citado por 15% da amostra. No Brasil, ele é um dos preferidos como fonte de notícias para 46% dos entrevistados, sendo que a liderança fica com o Facebook, com 57%. O Whats é forte na Malásia (51%) e no Chile (39%), enquanto que é pouco usado para esse fim nos Estados Unidos (9%), na Grã Bretanha (4%) e no Japão (3%).

Os pesquisadores estimam que um dos fatores que impulsionaram o uso do WhatsApp nos mercados emergentes e na Espanha tem a ver, primeiro, com o bolso, pois muitas empresas de telecomunicações permitem o uso do aplicativo, naqueles países, sem descontar os dados da franquia. E, segundo, com a privacidade, já que o compartilhamento através dele não sofre os efeitos da exposição que as redes sociais proporcionam.

Mas é no quesito ‘confiança das notícias’ que o Brasil mais chama a atenção. Para 60% da amostra brasileira, as notícias publicadas na Internet são confiáveis, mas houve uma queda de 36% para 30%, ano a ano, na percepção de que as notícias são livres de interferências políticas e empresariais. Na comparação com outros países, apenas a Finlândia supera o Brasil nesse quesito, com 62% de confiança, seguido por Portugal (58%) e Polônia (53%), sendo os Sulcoreanos os mais desconfiados (23%).

Sobre os meios utilizados para consumir notícias no Brasil, ao menos três vezes por semana, 60% apontou o canal a cabo Globo News como a fonte mais utilizada no segmento de TV, rádio e impresso, ficando o Jornal do SBT em segundo lugar, seguido por BandNews e Record News. Em termos de impressos, os jornais locais e regionais são os preferidos para 28% e, apenas no sexto lugar aparece um jornal tradicional, O Globo (27%). No âmbito online, destaca-se o portal UOL como o preferido para 47%, seguido pelos websites Globo News (43%) e O Globo (35%).

Vale dizer que tais números não estão se revertendo em dinheiro para as empresas de mídia. Segundo o estudo, apenas 22% dos entrevistados brasileiros pagam para receber notícias online, sem variação em relação ao ano anterior. Mundialmente, essa proporção de assinantes é bem menor e apenas um em dez (13% da amostra) tem esse hábito. Vale ressaltar que a pesquisa realizada no Brasil só contemplou as áreas urbanas e, por isso, o número de pagantes por mídia online é proporcionalmente maior do que os observados nos outros países onde mais se paga por notícias, tais como Noruega (15%), Suécia (10%) e Dinamarca (8%).

Sugiro que acessem o material completo nesse link e debrucem-se sobre os números e insights. Com certeza, os dados irão ajudá-los a ilustrar melhor o cenário do jornalismo brasileiro em suas conversas com clientes bem como para decidir sobre a direção que tomarão nas próximas divulgações.
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