
Tudo começou com o forte clamor da torcida pela titularidade do Endrick, apontado pelos torcedores como promessa da Seleção Brasileira. Em um piscar de olhos, a trend viral “Meu sonho é…” no X (antigo Twitter), na qual os usuários passaram a brincar com uma “rixa” entre o jogador e o técnico Carlo Ancelotti, gerou um pico de menções espontâneas, por volta das 23h do dia 19 de junho, e desencadeou uma corrida das marcas para aproveitar esse momento.

Muitas marcas entraram nessa conversa, sendo patrocinador oficial ou não.

“FOI A TORCIDA QUE PEDIU SIM!!! Quem já tá ansioso pra quarta-feira? #iFoodÉDoBrasil”
A publicação do iFood gerou repercussão positiva, com 1,7k de engajamento total e identificação imediata ao associar a aguardada entrada de Endrick no segundo tempo do jogo do Brasil x Haiti ao conceito de “entrega rápida” do seu aplicativo. Como patrocinador oficial da CBF, o iFood detém a vantagem dos direitos institucionais e coletivos.

“Agora vai. #TiraEleDaGaragem”
A Nissan demonstrou como uma marca não-patrocinadora pode se posicionar utilizando inteligência de dados: chegou a ter sua primeira publicação derrubada após a intervenção de compliance da CBF, mas agiu rápido na gestão de crise, reformulando a publicação com um novo idioma e isolando o “Endrick meme” do “Endrick jogador da Seleção”. Assim, continuou repercutindo positivamente, com 17,7k de engajamento total na publicação.

“É hora de botar o Endrick pra jogo. E se o Brasil pede, 99 leva até você”
Aproveitando o momento em que a internet clamava pela entrada do Endrick no jogo contra o Haiti, a 99 lançou a campanha “O Brasil está pedindo, a 99 vai entregar”, que foi retirada do ar depois da notificação extrajudicial da CBF. A marca cometeu uma infração direta ao vincular a promoção ao contexto explícito da convocação e da partida da Seleção.
No futebol e na comunicação, ninguém ganha ficando só na defesa. Jogar no limite faz parte do jogo e, a audiência, muitas vezes, vem exatamente do risco da jogada.
A professora Carolina Terra, da ECA-USP, estuda o que chama de Bad PR: a aposta na polêmica para gerar visibilidade. A conclusão dela é que buzz negativo não constrói marca. Concordo. No entanto, há uma diferença entre o chute chapado sem mira e o drible calculado.
A Nissan levou cartão, recuou rápido e voltou ao jogo com outra estratégia. A 99 avançou sem ter onde se apoiar e acabou em impedimento. O que separou os três não foi a ousadia — foi a preparação para a defesa.
A pergunta certa não é “posso jogar?” — é “estou pronto para o que vem depois do apito final?”
Mas o filtro de conteúdo, o respeito ao mapa de concorrência e a agilidade de reação podem evitar uma linha de impedimento reputacional.
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