[:pb]Os Leões e as Relações Públicas[:]

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Desde 2009 o Cannes Lions Festival Internacional de Criatividade vem premiando os melhores cases de “PR”. A verdade é que a categoria vem crescendo ano a ano, prova disso é que em 2016 foram inscritos 2.224 cases, contra 1.969 de 2015. A categoria também está ganhando visibilidade e relevância, além de expor algumas tendências.

Convido você a uma breve análise para uma longa reflexão sobre como os Leões estão promovendo um ‘novo’ modo de desenvolver Relações Públicas.

Segundo o site do festival, o PR Lions premia o “uso criativo da reputação”, prioriza ideias inovadores e que influenciam, trabalhos de construção de confiança de modo mensurável e que promova entendimento entre marcas e seus públicos. Aí vai me dizer que esse é o paradigma que literatura técnica traz desde sempre, mas quero que você reflita se profissionais, empresas, agências realmente estão fazendo isso; ou ainda, se há consciência em relação a isso mesmo com o cotidiano frenético dos negócios?

Nesta edição, um dos destaques de PR foi o case da McCann Praga: “Abelhas são capazes de encontrar açúcar onde você menos suspeita”. A campanha foi desenvolvida a partir da preocupação com a alimentação e saúde da população da República Tcheca, que vem consumindo três vezes mais açúcar que o recomendado e numa curva ascendente de diabetes. Então, a campanha desvenda que o doce pó branco está escondido até mesmo naquele inofensivo molho de salada da sua dieta! Você pode assistir o case clicando aqui.

Olha que interessante: é uma empresa, a Nas Grunt, uma rede de comida orgânica, que vai aos tchecos conscientizá-los do que estão verdadeiramente consumindo nos produtos industrializados. E consegue ir direto ao ponto, sem rodeios e ataques a terceiros sendo interessante de verdade, inovadora e socialmente responsável. Isso sem deixar de posicionar a marca e gerar engajamento com os stakeholders dela – ou no mínimo identificação.

Outros cases deste ano e de edições anteriores do festival trouxeram campanhas engajadas em causas sociais, culturais, ambientais, mas sempre causas. Always trouxe o “Like a Girl” em 2015, falando sobre a condição de opressão das mulheres no Estados Unidos (e no mundo todo).

Percebo um movimento positivo e consistente de posicionamento real de marcas e empresas, estou falando de expor ao público de qual lado as marcas estão, o que elas defendem e acreditam. Assistindo alguns dos cases deste ano, você percebe que não se trata mais (e faz tempo já) de falar do produto ou da empresa, mas daquilo que importa para o consumidor e para a sociedade. O mais interessante é que mesmo com uma atitude que pode ser considerada piegas, “hiponga” ou humanista demais, nenhuma dessas organizações deixou de visar lucro, de pensar em rentabilidade e perpetuidade de negócios.

Tenho refletido há algum tempo sobre a questão causas e marcas. Desde sempre acredito mesmo que “PR” deve contribuir para a transformação social – sem perder a visão de negócio. Anos atrás me sentia isolada de todos com nesse pensamento, uma romântica. Aí vem Cannes de 2009 a 2016 e corrobora. Acho que não entendo nada de romantismo!
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