O que os executivos podem aprender com as entrevistas do Covid-19?

27/03/2020 por André Lorenzetti

Há muitos anos que os brasileiros não assistem a tantas entrevistas, especialmente por imagem (seja na TV, internet ou outras mídias), movidos pela vontade e necessidade de se manter informado a respeito da Covid-19. Pelo que me lembro, a última vez que algo similar ocorreu foi na ocasião do fatídico Plano Collor, pois todos os brasileiros foram impactados e havia um absoluto desconhecimento e choque inicial (situação muito similar à atual).

Sem dúvida, é muito nítido como os bons entrevistados ajudam a transmitir uma informação de qualidade, confiável e fácil de se entender. Auxilia o trabalho dos jornalistas, realiza uma ação de utilidade pública e é adequadamente compreendido pela audiência. Credibilidade com conteúdo, essa é a percepção de quem assiste a essas entrevistas.

Por outro lado, um entrevistado que transmite insegurança, é prolixo ou confuso, se irrita no meio da entrevista, entre outras questões, perde a oportunidade de oferecer um bom conteúdo ou se posicionar como fonte confiável e respeitável. Pode ser que esse profissional detenha muito conhecimento, mas não consiga demonstrar essa profundidade frente a uma câmera ou microfone.

O profissional nasce sabendo dar uma boa entrevista ou se preparou para isso?

Como tantas outras habilidades profissionais, essa pode ser desenvolvida por técnicas adequadas, sendo a mais conhecida, aquela chamada de “media training”, mas que prefiro chamar de “preparação de porta-vozes”, pois prepara o profissional a se posicionar como porta-voz da empresa ou do assunto diante diversos públicos e situações.

Há empresas que realizam tais treinamentos anualmente com seus executivos por entenderem que é um excelente investimento. Quando bem conduzido, os executivos compartilham essa mesma percepção, pois é uma habilidade desenvolvida para a vida inteira, e não exclusivamente para entrevistas com a imprensa.

As oportunidades em que um executivo precisa se colocar adequadamente e responder perguntas são únicas, não se repetem da mesma maneira com as mesmas pessoas do outro lado. Se não forem bem aproveitadas, foram perdidas.

A cada sessão de treinamento que esse profissional faz, melhor ele fica, bem como a cada entrevista concedida, melhor o entrevistado deve ficar se tiver a humildade e a atenção de perceber seus pontos a serem aprimorados.

Participar de um “media training” não é se preparar para enganar ninguém, mas aprender a oferecer o melhor conteúdo para cada público, com objetividade, segurança e serenidade.

Se durante e após o auge dessa pandemia os investimentos serão revistos, cabe lembrar como foi convincente ouvir as boas entrevistas de alguns porta-vozes oficiais e avaliar se o seu cliente o vê da mesma maneira. Aprimorar essa habilidade é prioridade, especialmente em situações de crises.