O que é notícia hoje? Vale o questionamento.

Tenho acompanhado, cada vez mais, pautas que saem na “grande imprensa” sendo debatidas e até questionadas em outras plataformas e mídias.

Convenhamos, o mundo atual anda um tanto quanto chato e cheio de “mimimi” sobre o que pode ser falado, como deve ser abordado, etc e tal. Até aí, tudo bem. Sabemos que existe o grupo do feminismo, do machismo, do a favor disso e do contrário àquilo, e todo tipo de opinião, claro. Porém, o que me chama mais a atenção atualmente são os temas que viram notícia na tal “grande imprensa” e que geram outros tantos conteúdos em outras mídias tão relevantes.

Na qualidade de profissional de comunicação, lidamos com esse questionamento – aqui digo meus colegas de profissão e eu – diariamente. O que é notícia hoje? Tudo e nada ao mesmo tempo, se analisarmos friamente essa questão.

Como gestores de comunicação sempre questionamos nossos clientes sobre os temas que eles nos trazem como notícia, fazendo aquele papel de “advogado do diabo” mesmo para entender se aquele assunto interessa a um determinado nicho ou a grande massa, se há um fato inédito, se o público leitor daquele veículo vai ser impactado por aquele assunto, se tal tema terá relevância para a vida das pessoas. Bom, isso é um exercício diário e constante para quem trabalha com comunicação corporativa.

Tendo dito isso, me deparei com um post que ilustra bem o que estou falando no texto acima e que foi publicado no Huffpost Brasil, discutindo uma matéria veiculada na revista da Folha de S. Paulo (06/08) com a seguinte reportagem ipsis literis: “Está pensando que a vida dos pais é só trabalho e cuidar da cria? Eles também batalham para colocar em prática seus hobbies, como cruzar oceanos atrás de um show de heavy metal, fazer longas caminhadas pelo Nepal e guardar uns minutinhos para desfrutar do jardim”: https://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2017/08/1907231-conheca-pais-que-conciliam-filhos-e-hobbies-como-escalar-o-himalaia-e-ir-a-shows-do-iron-maiden.shtml

Nada contra a tal matéria, que traz histórias de pessoas que conciliam tudo e ainda a paternidade. UAU!!! Mas, aqui o que eu quero expor é, isso realmente é uma pauta interessante que mereça ser publicada em um veículo como a Folha, mesmo em uma data comemorativa, como o Dia dos Pais? E como resposta, exponho essa outra pauta aqui com o seguinte trecho na íntegra também: “Minha timeline está cheia de feministas e mulheres em geral indignadas com a matéria de Dia dos Pais da Folha de S.Paulo e fui ver do que se trata, pensando que fosse mais uma polêmica sobre homões da poha que não fazem mais do que sua obrigação”. https://www.huffpostbrasil.com/2017/08/09/a-disparidade-entre-maternidade-e-paternidade-conceito-e-expect_a_23072830/

Sem entrar no mérito de análise das duas matérias, até porque abre um parêntesis aqui eu tive um PÃE (que foi pai e mãe) da poha, pois ele criou duas filhas (minha irmã e eu) sozinho – depois da morte da minha mãe -, abrindo mão de se casar novamente, se aposentando antecipadamente e tudo mais que um PAIZÃO faria para cuidar de suas crias. Mas, vamos lá, voltando ao tema. Por que vocês acham que essas pautas viraram reportagens? O que de fato é importante analisarmos aqui são: as histórias desses homens realmente merecem destaque e são de fato relevantes para outras pessoas? Acredito que não, porque o efeito foi até contrário, levou a uma certa “ira” por se assim dizer de muitas mulheres, gerando outro post sobre um tema bem mais pertinente e atual. “É preciso muito pouco para ser considerado um paizão. E é preciso muito pouco para ser considerada uma mãe de m**da”, diz a autora Tayná Leite, que é Coach, palestrante, advogada, feminista e mãe do Cacá.

Vale aqui então uma reflexão e até uma provocação para todos nós de comunicação sobre o que estamos gerando e até consumindo de informação. Será que tem alguma relação o fato de a grande imprensa estar dando espaço para histórias cada vez mais “questionáveis” e pouco interessantes, com o fato de as vozes que surgem de influenciadores e de pessoas comuns, terem gerado muito mais empatia e engajamento do público? Precisamos pensar mais nisso, inclusive as próprias empresas quando querem divulgar seus temas tão relevantes.

[:pb]Reputação é ativo intangível. É melhor você se preocupar com isso![:]

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Há vinte anos, dizer que reputação é item importante no composto do ativo intangível soava quase como ingenuidade. Afinal, segundo o estudo que analisa a composição histórica dos ativos intangíveis, elaborado pela consultoria Ocean Tomo, mostra que os intangíveis ganham importância crescente ano-a-ano. Atualmente, quase 90% do valor de uma empresa é dada pelos tão complexos ativos intangíveis, como demonstra o quadro abaixo.

Ou seja, não são “as coisas”, como instalações e equipamentos, que dão valor às empresas. As “não coisas”, ou seja, o capital intelectual com marcas, patentes e pesquisa e desenvolvimento; a gestão de pessoas e a reputação que, de certa forma, soma todos os demais intangíveis, valem muito mais.

De certa forma, quando analisamos o estudo CEO Outlook Brasil 2016, produzido pela consultoria KPMG , percebemos que os empresários brasileiros estão bastante preocupados com a reputação. Quando questionados sobre os principais desafios e riscos que devem enfrentar, a questão reputacional aparece em quarto lugar, sendo precedida por dois fatores que menos dependem de uma ação direta da empresa: riscos cibernéticos e regulatórios.

Importante aqui esclarecer o que é, de fato, um risco reputacional. No geral, este é visto como uma risco à imagem da organização. De certa forma, quem pensa assim, pensa correto. Em termos!

O que é a imagem da empresa se não a soma de muitos componentes. A começar pela entrega de produtos e serviços. A empresa atende às expectativas de seus clientes e consumidores? A promessa é clara e a expectativa dos clientes é a mesma da empresa? Como a empresa se relaciona com seus empregados? Há a promoção de engajamento? A empresa mapeia, com seriedade, seus riscos técnicos e operacionais, avaliando como estes podem impactar a reputação?

Ou seja, reputação é coisa bastante séria e complexa. Mas nada que não seja entendido numa boa conversa e implantado com estratégia e persistência.[:]

[:pb]Vamos falar sobre Reputação?[:]

[:pb]Tanto se fala sobre reputação mas será que estamos falando sobre a mesma coisa? Ter uma boa imagem está bem longe de significar ter uma boa reputação.

Imagine aquele porquinho rosadinho, gordinho e simpático que é usado para ilustrar o lugar onde se guardam as economias.

Imagine que diariamente você coloca moedas nele. Todo troco recebido em moedas é depositado no porquinho. Ele vai ficando pesadinho e, se você não fizer nenhuma retirada, ele só vai se encher.

Depois de vários meses, ou anos, enchendo este cofre, um dia, você se vê em dificuldade e precisa recorrer às economias e você retira o equivalente a 10% da sua poupança rosadinha.

Esta retirada seria suficiente para acabar com suas reservas? Seria algo impactante que poderia ser traduzido como o fim do cofrinho?

De forma alguma. A única coisa que vai acontecer é que os próximos depósitos serão para repor o que foi retirado e não para aumentar a reserva.

O simpático porquinho é a reputação. Ela não se torna forte e vigorosa da noite para o dia. É preciso persistência, insistência, boas práticas de gestão e disciplina para que o cofrinho fique recheado.

Boas práticas corporativas, a entrega de bons produtos e serviços e um cenário favorável são passos essenciais para se criar uma boa reputação. Mas só isso é pouco. Aqui vale o velho ditado “A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta” (a origem do ditado é bastante interessante e pode ser conhecido neste link). Ou seja, não basta fazer o certo, a empresa precisa também saber se comunicar da forma correta.

Estamos na era da transparência compulsória e não há bom produto que sobreviva a uma prática frágil da comunicação, uma comunicação que desconsidere um mundo em rede e não mais organizado em caixinhas rotuladas como clientes, fornecedores, comunidade, acionistas, ONGs etc. Uma comunicação que reconheça liderança, influenciadores e não somente a imprensa.

A empresa faz tudo certo, sabe se comunicar de forma estratégica e seus stakeholders estão tão alinhados com ela que se tornam seus defensores. E, de repente, o cenário faz com que surja uma crise e a empresa é vítima disso. Um dos indicadores claros da chegada da crise é o resultado de suas ações. Elas despencam e a empresa perde valor. É como se, neste momento, a empresa precisasse buscar folego para manter-se saudável no seu cofrinho que, dada sua trajetória, está forte e saudável.

Uma crise pode matar a reputação de uma empresa?

Depende do quanto ela “poupou” antes da crise. Quanto mais cheio o porquinho, menor o risco da empresa ser afetada neste momento. Quanto menos a empresa investir na sua reputação diariamente e diuturnamente maior sua vulnerabilidade, mais magra são suas reservas reputacionais e maior o risco do cofre ser destruído neste momento.

Investir na gestão da reputação é caro? Bem mais caro é amargar o preço do “porquinho quebrado”. E ai vale outro ditado, bem menos charmoso e bem mais popular “não adianta chorar pelo leite derramado”.[:]