[:pb]WhatsApp e Facebook são os meios preferidos dos brasileiros para compartilhar notícias[:]

[:pb]Um panorama completo do consumo de notícias digitais é o resultado de um estudo o que o Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo conduziu em nível mundial, entre de janeiro e fevereiro de 2017, com 70 mil pessoas, em 36 mercados nos cinco continentes. O Digital News Report 2017 é um material denso e completo que aponta as tendências que podem explicar o rumo que a audiência por informação na Internet deverá tomar nos próximos anos e, desse modo, deve ser lido por todos os profissionais de Comunicação.

Na abertura das considerações, os editores alertam: “Esta pesquisa é um lembrete de que a revolução digital está cheia de contradições e exceções.” O alerta é válido especialmente para o Brasil, cujos números sobre o consumo de mídia destoam daqueles apresentados pelos grandes centros da Europa.

O consumo e compartilhamento de notícias por aplicativos de bate-papo é uma dessas contradições. No geral, 23% dos pesquisados respondeu que busca, compartilha ou discute notícias por esse tipo de tecnologia ao menos uma vez por semana. O WhatsApp, pela primeira vez, foi citado por 15% da amostra. No Brasil, ele é um dos preferidos como fonte de notícias para 46% dos entrevistados, sendo que a liderança fica com o Facebook, com 57%. O Whats é forte na Malásia (51%) e no Chile (39%), enquanto que é pouco usado para esse fim nos Estados Unidos (9%), na Grã Bretanha (4%) e no Japão (3%).

Os pesquisadores estimam que um dos fatores que impulsionaram o uso do WhatsApp nos mercados emergentes e na Espanha tem a ver, primeiro, com o bolso, pois muitas empresas de telecomunicações permitem o uso do aplicativo, naqueles países, sem descontar os dados da franquia. E, segundo, com a privacidade, já que o compartilhamento através dele não sofre os efeitos da exposição que as redes sociais proporcionam.

Mas é no quesito ‘confiança das notícias’ que o Brasil mais chama a atenção. Para 60% da amostra brasileira, as notícias publicadas na Internet são confiáveis, mas houve uma queda de 36% para 30%, ano a ano, na percepção de que as notícias são livres de interferências políticas e empresariais. Na comparação com outros países, apenas a Finlândia supera o Brasil nesse quesito, com 62% de confiança, seguido por Portugal (58%) e Polônia (53%), sendo os Sulcoreanos os mais desconfiados (23%).

Sobre os meios utilizados para consumir notícias no Brasil, ao menos três vezes por semana, 60% apontou o canal a cabo Globo News como a fonte mais utilizada no segmento de TV, rádio e impresso, ficando o Jornal do SBT em segundo lugar, seguido por BandNews e Record News. Em termos de impressos, os jornais locais e regionais são os preferidos para 28% e, apenas no sexto lugar aparece um jornal tradicional, O Globo (27%). No âmbito online, destaca-se o portal UOL como o preferido para 47%, seguido pelos websites Globo News (43%) e O Globo (35%).

Vale dizer que tais números não estão se revertendo em dinheiro para as empresas de mídia. Segundo o estudo, apenas 22% dos entrevistados brasileiros pagam para receber notícias online, sem variação em relação ao ano anterior. Mundialmente, essa proporção de assinantes é bem menor e apenas um em dez (13% da amostra) tem esse hábito. Vale ressaltar que a pesquisa realizada no Brasil só contemplou as áreas urbanas e, por isso, o número de pagantes por mídia online é proporcionalmente maior do que os observados nos outros países onde mais se paga por notícias, tais como Noruega (15%), Suécia (10%) e Dinamarca (8%).

Sugiro que acessem o material completo nesse link e debrucem-se sobre os números e insights. Com certeza, os dados irão ajudá-los a ilustrar melhor o cenário do jornalismo brasileiro em suas conversas com clientes bem como para decidir sobre a direção que tomarão nas próximas divulgações.
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[:pb]Para tirar a comunicação do quartinho dos fundos[:]

[:pb]No início do ano, o presidente de uma grande empresa chamou seus diretores para verificar quais resultados haviam obtido para contribuir com os objetivos da companhia no cenário de crise. O diretor comercial foi o primeiro a se pronunciar, todo orgulhoso por ter alcançado um aumento de 30% nas vendas frente a um aumento de custos de apenas 8%. E mais, houve uma substituição de produtos de baixa margem de rentabilidade para os de elevada margem em metade das novas vendas.

A diretora financeira e administrativa apresentou números positivos com ganhos financeiros não operacionais, desmobilização de capital pela venda de equipamentos que passaram a ser locados com manutenção inclusa e rígido controle de gastos administrativos por meio da implantação de um sistema de autorização online.

A diretora de RH trouxe o aumento da produtividade das principais equipes devido a revisões nos processos de seleção e treinamento. Mostrou, mesmo que a desgosto dos demais, o aumento das metas para bônus da direção e alta gerência, garantindo que nenhum deles receberá um centavo a mais enquanto a companhia não alcançar o devido EBITDA.

Chegada a vez do diretor de comunicação, ele fez uma longa apresentação explicando a intangibilidade dos resultados de sua área. Comparou com um excelente vinho, que um apreciador experimentado sabe o quanto vale, mesmo sem ter ideia de quanto tenho sido gasto para produzi-lo.

O presidente satisfeito, agradeceu a todos e comentou que, em tempos de crise não podiam se dar ao luxo de vinhos caros. Cortou a verba e a equipe de comunicação, incluindo o próprio diretor.

Esta fábula da vida moderna ilustra a aflitiva realidade dos muitos profissionais das áreas de comunicação, seja ocupando posições em agências ou como clientes, que não fizeram a migração para o modelo de resultados e agilidade para se ajustar a novos ambientes e realidades.

Ainda é comum encontrar aqueles que utilizam a afirmação de que a atividade de comunicação gera resultados intangíveis e, consequentemente, imensuráveis, para se esconderem. Algumas empresas até aceitam esse discurso, mas entram no mesmo jogo e acabam por esconder a área de comunicação, reservando a ela um papel puramente operacional e no topo da lista do corte de verba. Há outros tantos que afirmam medir resultados, mas utilizam indicadores absolutamente desvinculados do planejamento estratégico da organização.

Há muitos profissionais que defendem as mídias sociais, as novas tecnologias e os influenciadores digitais como estratégia de comunicação. Mídia, como o nome diz, é meio; tecnologia é e sempre foi simplesmente tecnologia; e influenciador é público meio (e não público fim). Nenhum desses substantivos pode ser considerado estratégia de comunicação ou a disrupção da área, mas pode estar inserido em um contexto de negócios, alinhado com os objetivos da organização, dentro de uma estratégia macro de comunicação, com indicadores e metas.

Situações assim levam toda a área de comunicação para o quartinho dos fundos das empresas. Não convive com a alta direção, não tem acesso a informações confidenciais em primeira mão e é lembrada somente para divulgações ou quando alguém precisa de “um texto engajador”.

Se na fábula acima o diretor de comunicação tivesse elencado ações de relacionamento com influenciadores digitais alinhadas com o objetivo de aumento de vendas qualificadas, tendo como indicador de sucesso a medição de clientes gerados por esse meio, tudo seria diferente. O diretor financeiro entenderia a razão de liberar verba, o diretor comercial mobilizaria sua equipe em benefício do projeto, o diretor de RH repensaria a estrutura da área e o presidente consideraria envolver a comunicação em situações mais relevantes e críticas.

Avançando na questão, o termo “resiliência” e a capacidade de predição e análise são habilidades desejadas em todos os funcionários, ou pelo menos nos gestores. Estar sempre aberto a ajustar o planejamento, cercar-se de informações e pessoas que ajudem a prever riscos e oportunidades e analisar tudo o que está à mão dá um toque estratégico e de resultados à comunicação.

Nesse quesito, a tecnologia pode ser uma aliada ou uma adversária, pois é capaz de nos distanciar da realidade das pessoas. Andar pela fábrica, observar o comportamento dos consumidores dentro das lojas e ter contatos pessoais devem complementar pesquisas online e planilhas. É algo muito similar à humanização dos serviços, ou servicização, um modelo bastante em curso nas empresas. É contraditório imaginar uma comunicação não humanizada ou afastada das pessoas, mas essa situação tem sido muito presente. O anúncio em voz alta no salão pode ser mais efetivo do que um e-mail, um encontro pessoal mais impactante do que um vídeo, uma experiência presencial mais tocante e engajadora do que um jogo virtual.

Quando nos afastamos do estratégico e não revisamos as ações periodicamente com olhos na evolução dos resultados dessas ações, corremos o risco de cair na armadilha de mecanizar nossa prática. E quanto mais mecânica for uma atividade, mais ela tende a ser substituída por robôs ou desvalorizada nas organizações.

Comunicar é algo que se aprende desde o primeiro choro – que, em si, já é comunicação. Os grandes diferenciais dos comunicadores atuais são a capacidade de se manter simples utilizando novas tecnologias, ser percebido como estratégico mesmo com impactos intangíveis, e mirar resultados de negócios para a organização sem perder o senso de humanidade.
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[:pb]A importância de resgatar a comunicação real[:]

[:pb]Século 21, ano de 2017. Estamos na época da internet, das mídias, das redes sociais, da Web 2.0. Mas, mesmo com a facilidade de se comunicar, transmitir informações e ser onipresente, ainda continuamos com o forte embate do real significado e da importância da comunicação no dia a dia de qualquer ser humano. Este conceito não está apenas atrelado ao profissional, às grandes empresas ou negócios, está ligado ao simples ato de comunicar.

A complexidade da rotina e das responsabilidades tornam as pessoas cada vez mais individualistas e as escodem profundamente atrás da tela dos smartphones. Não tem mais corpo a corpo e cara a cara. Ninguém mais quer telefonar. As relações interpessoais são instituídas a partir de curtidas, comentários e visualizações. E o alimento disso são as redes sociais, vitrines da vida real, se é que podemos chamar de real.

O que deveria ser uma ferramenta para acrescentar, acaba sendo uma subtração à humanidade e realidade de cada pessoa. Por trás de uma tela qualquer um é corajoso, autoconfiante e destemido. Tem a vida perfeita cheia de sorrisos e sem nenhuma derrota. Quase todos os dias me pergunto onde isso nos levará. Precisamos trazer à tona a necessidade de interagir. Em qualquer ambiente, seja ele profissional, social, familiar ou acadêmico é preciso saber se comunicar. Compartilhar, dividir e distribuir ideias e palavras reais. Não ter medo. Usar esta arte para promover discussões, desconstruções, evoluções e empatia.

É como no mundo animal. Um macaco que nasce em cativeiro, se desenvolve, amadurece e entre na vida adulta, quando solto na selva, não sabe muito bem como se comportar. Ele é “engolido” em pouco tempo, pela falta de prática e conhecimento do novo ambiente. Nós, humanos e racionais, vivemos no mundo cibernético quase 24 horas por dia. Celular, computador, redes socais, curtidas, vídeos, fotos e os famosos textões fazem parte de cada pequeno e rápido milésimo de nossa rotina. No momento que voltamos ao plano real e presencial, é estranho e desconfortante. Precisamos dar valor a conversa, a fala, as expressões, aos sorrisos e gritos. Precisamos trazer a essência humana para a comunicação, a arma mais forte que uma civilização pode ter.
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