[:pb]Quando uma ótima oportunidade acaba em pizza[:]

[:pb]Estar preparado. Esse é, ou deveria ser uma atitude dos profissionais de todas as áreas. Estar preparado para imprevistos, para o pior cenário, para o melhor cenário, para oportunidades inesperadas, para se tornar conhecido, para crescer.

A preparação é fruto de duas situações distintas, mas que devem andar de mãos dadas: da prática diária com aprendizado constante; e de ações pontuais conduzidas por especialistas. A primeira categoria é natural e cabe ao profissional estar atento aos aprendizados, analisando os pontos positivos, negativos e a melhorar.

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Na segunda categoria se encaixam cursos, seminários, estudos e outros esforços com começo, meio e fim, conduzidos por um terceiro e que exigem dedicação especial do profissional para assimilar o conhecimento, adapta-lo à sua realidade e torna-lo tangível quando exigido. Afinal, estamos falando da vida profissional das pessoas e conhecimento sem prática não parece ser útil às organizações.

Interessante analisarmos que, à medida em que se avança na carreira, existe uma tendência de se minimizar a necessidade de imersões e preparações em outras áreas. Aqui entra a metáfora do título desse artigo. Ouvi uma vez de um conhecido sua experiência que ilustra bem o cenário: ele se aposentou como diretor de uma multinacional e, imaginando que se era capaz de gerir orçamentos milionários, grandes equipes e desafios diários, poderia, tranquilamente, gerenciar uma pizzaria. Afinal, qual a complexidade de se produzir e vender pizza em São Paulo, uma das cidades em que mais se consome esse produto?

Ele quebrou em alguns meses. Parte considerável de suas reservas foi investida no empreendimento que não conseguiu um único período no azul. Ele se deu conta (tarde demais do ponto de vista da pizzaria) de que seu alto nível de especialização em uma área não era suficiente para lhe garantir sucesso em outros terrenos.

Ele agiu como muita gente age e o resultado foi previsível como em diversas situações dentro das empresas, quando executivos subestimam a complexidade de ambientes aparentemente simples por desconhecerem seus segredos e nuances. Tudo na vida tem seus segredos.

Pode dar pizza na comunicação?
Agora, falando especificamente de nossa especialidade, a comunicação, nos deparamos com executivos altamente capacitados, com muito conhecimento, mas que deixam oportunidades ricas de se posicionar, divulgar e engajar por falta de técnicas apropriadas e experiência no assunto. São entrevistas, interações em mídias sociais, palestras, participação em associações, eventos corporativos ou encontros de relacionamento que, como qualquer boa oportunidade, se não é aproveitada na hora, não volta atrás.

Preparar-se. Nesse caso são pequenos investimentos, tanto em dinheiro quanto em tempo dos profissionais, diante do retorno que podem gerar. Preparação de porta-vozes, também chamada de media training, workshops ou treinamentos de crises, sensibilização sobre o papel de cada um na construção da imagem e comunicação da companhia, esclarecimento aos empregados das regras e importância do compliance e outros temas ligados a relacionamento, engajamento e comunicação.

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São comuns os comentários de altos executivos sobre o quanto aprenderam em algumas horas de atividade bem conduzida. São conhecimentos possíveis de serem utilizados em toda carreira e vida pessoal, pois tratam de falar e ser compreendido, ter a ideia valorizada e gerar engajamento, independentemente do público desejado.

Sim, todos nos comunicamos desde que nascemos (o choro de um bebê é eficiente em chamar a atenção e avisar que há uma “crise” em andamento). Também somos alfabetizados, utilizamos mídias sociais e vendemos nossas ideias. Mas, como o dono da pizzaria aprendeu a um altíssimo custo, por que não conhecer alguns segredos a mais desse campo chamado comunicação?
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[:pb]Somos multi! Com orgulho![:]

[:pb]Quando chegou minha vez de escrever o texto para esse blog, fiquei pensando muito no que falar. Muito! Parei um minuto e olhei ao meu redor – a sala de atendimento da LVBA – e tive uma grata surpresa. Somos uma empresa multi. Somos negros, brancos, héteros, gays, cristãos, umbandistas, espíritas… Nunca havia parado pra pensar nisso e, a grata surpresa que mencionei antes, foi no sentido de ter sorte em trabalhar num local assim, no qual as diferenças são tão claras e, principalmente, celebradas.

O Brasil é conhecido por ser um dos países mais diversos: diversos tipos de cor, raça, credo, mas as empresas brasileiras ainda estão distantes de promover a inclusão e o respeito à população LGBT, por exemplo. Segundo levantamento feito pela empresa de recrutamento Elancers, 38% das empresas brasileiras não contratariam pessoas LGBT para cargos de chefia e 7% não contratariam em hipótese alguma.

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E para pessoas com deficiência? Desde 1991 temos a Lei de Cotas que prevê que toda empresa com 100 ou mais funcionários deve destinar de 2% a 5% (dependendo do total de empregados) dos postos de trabalho a pessoas com alguma deficiência. E, mesmo assim, com uma lei obrigando, não vemos essa inclusão. O que está errado?

Ao invés de escrever um texto longo e cheio de outros dados estatísticos, achei que seria mais interessante em usar esse espaço para uma reflexão. Pare para pensar: no seu local de trabalho, aí, na sala ao lado da sua. Quantos negros existem? Quantos muçulmanos? Quantos gays? Pessoas com necessidades especiais?

Somos tão diversos assim no nosso dia a dia? Seu colega de trabalho gay, por exemplo, se sente confortável em falar sobre isso abertamente? Talvez você nem saiba que ele é gay. Talvez ela tenha medo de falar sobre isso, por conta daquela piadinha que sempre é feita na hora do café.

O que estamos fazendo para que nosso ambiente de trabalho seja mais diverso? E, principalmente, aberto à diversidade?

Ter uma força de trabalho multi é a melhor solução que qualquer empresa pode adotar. Fugindo da questão do ser politicamente correto, estar aberto às diferenças é uma ótima oportunidade para conhecer o diferente, aprender algo novo todo dia, quebrar um preconceito que tenhamos e, talvez nem saibamos. A diversidade é uma grande arma quando se compete no mercado global, quando se trabalha com clientes globais e de diferentes culturas. Essa mistura de pensamentos, ideias, gostos, passatempos e muito mais pode ser ótima na hora de um brainstorm para um prospect, não?! Além de poder ser absurdamente divertido!

Mas isso é algo que tem que ser natural. Tem que ser cultural da empresa. Não algo imposto. Enfiado goela abaixo dos funcionários. Essa diversidade só vale para a empresa se diretoria, funcionários e colaboradores pensarem igual. Forem abertos ao novo. Ao diferente.

E é nesse ponto que fica minha reflexão e, principalmente, a lição de casa que deixo para vocês: você está preparado para isso?
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[:pb]Os Leões e as Relações Públicas[:]

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Desde 2009 o Cannes Lions Festival Internacional de Criatividade vem premiando os melhores cases de “PR”. A verdade é que a categoria vem crescendo ano a ano, prova disso é que em 2016 foram inscritos 2.224 cases, contra 1.969 de 2015. A categoria também está ganhando visibilidade e relevância, além de expor algumas tendências.

Convido você a uma breve análise para uma longa reflexão sobre como os Leões estão promovendo um ‘novo’ modo de desenvolver Relações Públicas.

Segundo o site do festival, o PR Lions premia o “uso criativo da reputação”, prioriza ideias inovadores e que influenciam, trabalhos de construção de confiança de modo mensurável e que promova entendimento entre marcas e seus públicos. Aí vai me dizer que esse é o paradigma que literatura técnica traz desde sempre, mas quero que você reflita se profissionais, empresas, agências realmente estão fazendo isso; ou ainda, se há consciência em relação a isso mesmo com o cotidiano frenético dos negócios?

Nesta edição, um dos destaques de PR foi o case da McCann Praga: “Abelhas são capazes de encontrar açúcar onde você menos suspeita”. A campanha foi desenvolvida a partir da preocupação com a alimentação e saúde da população da República Tcheca, que vem consumindo três vezes mais açúcar que o recomendado e numa curva ascendente de diabetes. Então, a campanha desvenda que o doce pó branco está escondido até mesmo naquele inofensivo molho de salada da sua dieta! Você pode assistir o case clicando aqui.

Olha que interessante: é uma empresa, a Nas Grunt, uma rede de comida orgânica, que vai aos tchecos conscientizá-los do que estão verdadeiramente consumindo nos produtos industrializados. E consegue ir direto ao ponto, sem rodeios e ataques a terceiros sendo interessante de verdade, inovadora e socialmente responsável. Isso sem deixar de posicionar a marca e gerar engajamento com os stakeholders dela – ou no mínimo identificação.

Outros cases deste ano e de edições anteriores do festival trouxeram campanhas engajadas em causas sociais, culturais, ambientais, mas sempre causas. Always trouxe o “Like a Girl” em 2015, falando sobre a condição de opressão das mulheres no Estados Unidos (e no mundo todo).

Percebo um movimento positivo e consistente de posicionamento real de marcas e empresas, estou falando de expor ao público de qual lado as marcas estão, o que elas defendem e acreditam. Assistindo alguns dos cases deste ano, você percebe que não se trata mais (e faz tempo já) de falar do produto ou da empresa, mas daquilo que importa para o consumidor e para a sociedade. O mais interessante é que mesmo com uma atitude que pode ser considerada piegas, “hiponga” ou humanista demais, nenhuma dessas organizações deixou de visar lucro, de pensar em rentabilidade e perpetuidade de negócios.

Tenho refletido há algum tempo sobre a questão causas e marcas. Desde sempre acredito mesmo que “PR” deve contribuir para a transformação social – sem perder a visão de negócio. Anos atrás me sentia isolada de todos com nesse pensamento, uma romântica. Aí vem Cannes de 2009 a 2016 e corrobora. Acho que não entendo nada de romantismo!
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