Imprensa não é arnica!

25 de setembro de 2014 por Valéria Allegrini

Quando era pequena, ouvia com frequência da minha mãe e avó: “Dá arnica que cura”. Para quem nunca ouviu falar, a arnica é uma planta parecida com um girassol, com origem nas regiões montanhosas da Europa e Sibéria. Ótima para cicatrizar as feridas, clarear os hematomas, inchaço, dor de cabeça e de garganta, entre tantas outras propriedades. Era o remédio para tudo!

Desta lembrança, me veio a seguinte relação: observo ainda hoje e com mais constância do que se imagina, muitas organizações que ainda depositam na imprensa tradicional o meio principal, quase único, para suas ações de comunicação externa. E com o objetivo de ampliar sua visibilidade, falar com seus consumidores, vender mais produtos, ficar conhecida.  Todas as fichas concentradas em uma única aposta de relacionamento.

E, por favor, não me interpretem mal! Acredito na relevância do papel da imprensa, como público meio e formador de opinião. Por meio do qual, a organização valida seus discursos junto aos demais stakeholders. Mas, a sociedade em que vivemos hoje é outra, mais exigente. É a da comunicação de valores, das mídias sociais, das mobilizações em rede, dos processos colaborativos. E que demanda a ampliação e novas formas de relacionamento.

Cada vez mais, o diálogo aberto, honesto, transparente e com todos os públicos com os quais uma organização se relaciona se faz necessário. Empregados, clientes, fornecedores, acionistas, consumidores, governo, comunidade, concorrentes, imprensa, todos merecem atenção e cuidado.

A comunicação, como ferramenta estratégica e alinhada ao business é cada vez mais  demandante e intensa, principalmente, devido às mídias sociais. É preciso repensar a forma como as organizações ou mesmo marcas se relacionam. Um programa de Gestão Estratégica de Relacionamentos com Stakeholders pode ser um bom início. Começando pelo mapeamento dos públicos de interesse, para estabelecer estratégias e objetivos claros de relacionamento, por meio de diálogos confiáveis e ações permanentes. Criar engajamento. Gerar percepções favoráveis em relação à organização e suas atividades ao longo do tempo. Construir reputação.

E este é o caminho, na minha forma de ver o mundo, também das organizações aliarem o desenvolvimento sustentável (tripé econômico, social, ambiental) ao seu crescimento econômico, promovendo uma relação mais equilibrada e verdadeira com seus públicos, a do ganha-ganha. Ninguém perde, todos ganham.